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  Contagem, terça-feira, 12 de novembro de 2019.

Análise das políticas públicas regionais marca encerramento do seminário internacional sobre desafios da agricultura na América Latina

Painéis sobre as dificuldades da logística da produção agrícola; inovação técnica na agricultura; biocombustíveis e bionergia, e as mudanças no crédito rural marcaram o segundo e último dia do Seminário Internacional "Desafios e Oportunidades para a Agricultura na América Latina", nesta sexta-feira (11), no auditório do Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na cidade do Rio de Janeiro.

A primeira atividade do dia foi a exposição sobre o desenvolvimento dos biocombustíveis e da bioenergia na América Latina, que discutiu o papel da região, ainda muito dependente dos combustíveis fósseis, na produção e no consumo de energias renováveis, e as alternativas para gerar eficiência energética com baixo impacto ambiental, como o biodiesel e o bioetanol.

Em seguida, foi analisado o papel da inovação tecnológica no desenvolvimento da agricultura latino-americana e sua contribuição para o aumento da produtividade, a redução de custos e a garantia da sustentabilidade na produção agrícola.

A importância da ciência e tecnologia e da participação das instituições públicas de pesquisa na inovação tecnológica da agricultura foi atestada ao público através da apresentação de algumas práticas vistas no meio rural brasileiro.

Foram citadas inovações no desenvolvimento da agricultura tropical; na integração entre a lavoura, a pecuária e a floresta; nas técnicas de fixação biológica do nitrogênio no solo; na redução de carbono na produção de carne, e no suporte ao pequeno produtor rural, através da oferta de soluções de baixo custo para o abastecimento de água para irrigação e consumo e a geração de energia elétrica para utilização na agricultura.

O terceiro painel do dia trouxe o estudo dos problemas da logística e da infraestrutura no setor agrícola, em especial no agronegócio brasileiro, que nasceu no Sul do país, migrou para a Região Norte em busca de espaço, mas encontra dificuldade para escoar a produção devido à deficiência da infraestrutura logística.

O crédito rural em um contexto de mudanças no Brasil; o novo padrão de financiamento e o papel dos bancos cooperativos na agricultura foram os temas do painel de encerramento do seminário internacional realizado no Rio de Janeiro.

A apresentação analisou a construção da política brasileira de financiamento da agricultura, de 1965 aos dias atuais; a política agrícola em conjuntura de crise econômica e as diversas fontes usadas para financiar o crédito rural para as agriculturas familiar e empresarial.

Também foram discutidos detalhes da medida provisória 897 (MP do Setor Agropecuário), assinada no último dia 01 de outubro, pelo presidente da República, que oferece melhores condições para o financiamento do agronegócio e outros incentivos para fortalecer o agronegócio no Brasil.

Para o presidente da Amis (Sistema de Informações de Mercado Agrícola do G20), Marcelo Fernandes Guimarães, o seminário internacional foi bem sucedido em razão do ineditismo do conteúdo de alguns trabalhos apresentados e pela oportunidade de troca de experiências entre os participantes. Ele citou como exemplo os estudos apresentados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre a agricultura de alguns países da América Latina.

"Esse estudo do BID replicou a metodologia desenvolvida pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e servirá de comparação para a análise do nível de apoio que cada país pesquisado oferece à sua agricultura", explicou Guimarães, que é assessor do Departamento de Estudos e Prospecção da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Outro mérito do seminário, segundo Guimarães, foi ampliar a compreensão sobre as mudanças na agricultura e no comércio internacional causadas pelo conflito comercial entre os Estados Unidos e a China, e as repercussões que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia poderão causar no desenvolvimento agrícola da América Latina.

"O acesso às informações apresentadas durante os painéis; os debates e a troca de experiências com especialistas qualificados serão fundamentais para que os organismos internacionais que trabalham com políticas agrícolas possam qualificar ainda mais seus projetos para o desenvolvimento da agricultura e a segurança alimentar", concluiu Marcelo Guimarães.

O Seminário Internacional "Desafios e Oportunidades para a Agricultura na América Latina" teve o apoio do Mapa; da FGV; da OCDE e da AMIS e das cooperativas de crédito rural Sicredi e Bancoob.

Fonte: www.agricultura.gov.br


Notícia de 14/10/2019.

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